a magia da primeira estrela que vejo no céu, cada noite, no meu dia!...

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2011/02/09

9 de Fevereiro

Parabéns Madalena!

Dorme tranquila e segura na tua caminha, que o papá está sempre aqui para olhar por ti e pela tua mana. Tudo o resto se desvanece!... O amor traz consigo a verdade, e a verdade a força. Sê feliz!

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2010/09/28

blogs e mais blogs

Gosto de escrever. Sempre gostei. Não é de agora.

Gosto da liberdade de expressão, faz-me bem, mesmo quando escrevo só para mim.

Aqui, no Primeira Estrela, como noutros espaços que entretanto criei, encontrei espaços para partilhar com aqueles que me são queridos, pelos que se interessam por mim. Pelos que conheço, pelos amigos dos meus amigos, e que se tornam meus amigos também. Aqui encontrei pessoas que não conhecia, e que descobri terem interesses comuns. Valores comuns. Princípios comuns. Coisas que infelizmente nem todos temos.

Só nunca conseguirei entender o que traz aqui [à minha casa], pessoas que não têm por mim algum tipo de sentimento bom. Este espaço, como os outros, não serve para isso. É meu. E é para mim, e para os que gostam de mim. Para os que se deliciam com as histórias que conto das minhas princesas. Para os que me lêm nas entrelinhas. Para os que me aprendem a conhecer.

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o mundo a cores

Quase um ano depois, descobri que o mundo, afinal, é a cores!

E sim, todas as coisas que se diz que existem, podem mesmo existir. Os nossos sonhos, as nossas expectativas, o amor verdadeiro. Reconheço as 'frases feitas', as músicas a tocar no rádio, os filmes no cinema... Tudo faz sentido, finalmente.

time capsule

Há pouco mais de um ano atrás, algures em 2009, pensei escrever uma espécie de 'cápsula do tempo', daquelas palhaçadas que se escrevem em determinada altura, para ler dez anos depois, por exemplo. Não o cheguei a fazer. Mas é curioso, que se olhar para a minha vida há um ano atrás, imagino que tudo o que teria escrito e todas as minhas expectativas para dali a dez anos, estariam completamente alteradas num prazo muito mais curto do que aquele que imaginara...

Há um ano atrás, vivia a minha vida angustiado, sem entender bem porquê. Vivia de um modo que não era aquele que acreditava, no que se refere ao meu relacionamento com a pessoa com quem vivia. E vivia a acreditar que as coisas seriam diferentes um dia, se... se, se, se, e se.

Há um ano atrás tinha uma casa com aspecto de 'casa de revista', mas só por fora. Habitava num T4, com jardim e piscina de água salgada, e agora vivo num T2, cheio de amor, sorrisos, onde todos nos sentimos em casa!

a magia da primeira estrela

...O nome, associado àquela estrelinha no céu, a zelar por nós, pode ser tantas outras coisas. Pode ser a primeira estrela no céu, aquela à qual se pede um desejo.

Pode ser a minha 'primeira estrelinha', que me encorajou a começar a escrever este espaço, tão meu como delas, enquanto existir. De facto, quando comecei aqui a escrever, foi sobretudo porque, enquanto pai, depositaram em mim uma série de sonhos e emoções que eu simplesmente não sabia [não sei] guardar dentro de mim! Não apenas por elas, mas porque elas são parte da minha vida. Aqui descrita, um pouco pelo menos.

Pode não ser brilhante, a minha escrita. Pode não dar nunca um livro. Mas sem dúvida que é do que sei fazer o que mais me preenche. Pode ser trapalhão o meu modo, confuso, pouco claro. Se calhar é mesmo assim. Se calhar não há entrelinhas para ler, e é só isto, é mesmo assim. Mas...

No outro dia, ao deitar, estava a conversar no quarto com duas meninas pequeninas, e uma delas, com seis anos, falava comigo com uma lucidez tal, que me dei conta de como o tempo passa. De repente, a minha menina mais crescida está mesmo a ficar uma menina crescida. A quem tanto devo, pelo tanto que me dá!

Como que por magia, apercebi-me, pouco depois, já ao vê-las dormir, que mais uma vez, as coisas acontecem quando menos esperamos. E de repente, a minha princesa mais velha, já me sabe ler! E o enorme presente que tenho para ela, é tudo aquilo que escrevo! Intemporal. Contando a nossa história, tantas vezes.

Talvez estas linhas ainda sejam demasiado densas para a pequena Madalena, mas tantas outras hão-de vir! Por isso, que sejam estas as primeiras linhas que leias do que o pai escreve, porque as que se seguem são para ti, Madalena:

'Bem vinda ao Primeira Estrela, Madalena! O lugar mais perto do céu, onde encontrarás sempre o meu abraço apertado. Do teu papá, João.'

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primeira estrela

Provavelmente encontrarão alguma referência a esta música neste blog. Se calhar foi um pouco pela magia nela contida, escrita a pensar no imaginário das crianças, que se deu o título a este espaço!

Recordo o dia em que a escutei ao vivo no Coliseu, faz quase 7 anos agora. A história, contada a um menino, cantei-a depois entre tantas outras às minhas princesas, para adormecer. Cantei-a de novo há dias atrás, por acaso, e é curioso como a Madalena se lembra disso. Já não o fazia há tanto tempo... Ela disse:

'É a canção que nos cantavas quando eramos bebés.'

E sorriu. Foi [mais um] momento especial. Recortado de entre tantos outros, naquelas fotografias-recordação que guardo. Não ficou filmado. Ninguém fotografou. Mas está na mente delas, como na minha, como tantos outros momentos que vivemos, no passado e no presente!

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serão estes os últimos posts?

Será que tudo tem o seu tempo? Será que tudo tem de chegar a um fim? Talvez...
Na verdade, a minha mente sente-se inquieta por diversos motivos. Alguns dos quais me levam a escrever aqui agora.

São coisas intensas, momentos, sentimentos mágicos e espantosos, que me dão a certeza de ter alcançado tanto, tanto... Coisas que nunca ninguém me saberá tirar.

Por outro lado, tiram-me o sono e o sorriso do rosto por instantes, coisas que se passaram sobretudo ao longo do último ano, injustiças diversas, sentimentos duros e sem sentido, que marcaram não apenas o meu ano, como o de tantos dos que amo. Sem qualquer sentido ou justificação. Erros crassos que não saberei esqueçer.

Mas hoje, quero escrever ainda sobre outras coisas.

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2010/08/20

arrepio

Sabes aquele arrepio que sentes por vezes, que te faz levantar os cabelos? Por vezes sinto-o quando ouço música. Não pela música em si, talvez nem pela sua grandiosidade. Talvez não pelas letras, pelas histórias que as letras contam. Talvez não seja pelo modo como essas histórias, por vezes, se entrelaçam na minha história.

Talvez seja apenas por recordações, por imagens e sensações que determinadas músicas me trazem, pelo modo como marcam momentos da minha vida.

Talvez seja apenas porque, naqueles momentos, passas a tua mão pelo meu cabelo, e me afagas.

Talvez seja apenas o 'matar saudades' de quem já partiu.

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2010/03/04

outros blogs

Olá a todos!
Há já algum tempo que escrevo no 'Primeira Estrela', no entanto, alguns dos links de outros espaços onde escrevo e que aparecem à direita, encontram-se agora com acesso limitado a utilizadores autorizados...
Assim, se quiserem ler, se tiverem paciência, é só mandarem um mail, ou deixarem o contacto aqui nos comentários, para que vos possa convidar.

Ando por lá a organizar ideias... mas continuarei a escrever por aqui! Até já.

2010/02/04

não sou poeta

Simplesmente gosto de escrever. E admiro quem o faz bem. Por isso aqui presto este tributo, a quem tão bem escreveu as suas emoções, a quem inventou histórias, e presto a minha humilde homenagem a quem passa pela vida com garra e emoção, a quem deixa uma marca.

Não sou, eu, um poeta. Não tenho o 'dom' da escrita ou da palavra. Tenho apenas a paixão pela vida, e isso transborda de mim, é maior do que eu. Para além de mim fica naqueles que me são próximos. Deixa marcas naqueles que amo. E escreve-se aqui, também!

Não me disseste amante, madrugada, pedra de lua, pássaro, viagem.
O meu corpo de Agosto feito à estrada, não descobriste a sombra da folhagem.
Não murmuraste ao menos solidão.
Amora, mel, morango. Não disseste.
Não te pedi nem mar, nem coração.
Não tens perdão.
Fui água e não bebeste.

Rosa Lobato Faria (1932-2010)

2010/01/13

lição de amor

A vida retira-nos algumas coisas, mas dá-nos sempre outras. A verdade é que acredito que a sorte se faz, mas por vezes as coincidências são tantas, que definitivamente sou obrigado a acreditar no destino, em Deus, ou em qualquer coisa superior que nos atinge.


No meio de toda esta confusão que se abateu sobre mim, no meio de toda a revolta, 2009 entregou-me o pior e o melhor de mim. E se me deu momentos difíceis, deu-me outros muito bons, e deixou-me no caminho certo!


E esta história não seria a mesma, se eu não tivesse encontrado um novo, grande e único amor!


Mesmo que tivesse sido antes da minha decisão, isso seria legítimo. Eu sei que não fica nada bem na fotografia, mas hoje entendo que quando essas coisas acontecem é porque há espaço para que aconteçam, porque algo já não está bem.


Nunca pensei em separar-me para ficar com outra pessoa, e quando comecei a pensar nisso mais a sério, aí há um ano e meio atrás, sempre me imaginei sozinho, com as miúdas, embora soubesse que poderia encontrar alguém depois, mais tarde.

E esta história começa precisamente assim... Há alguns meses atrás, por acaso, encontro numa conta de e-mail que já não utilizo, uma mensagem de aviso de troca de endereço de e-mail de uma grande amiga com quem não tinha praticamente contacto há alguns anos. Decido responder, igual a mim mesmo, perguntando como está, e contando algumas novidades. Recebo resposta, que hoje sei que foi vaga, como a minha própria mensagem, com tanto mais por dizer sobre o que se passava na minha vida.

Passam-se dois ou três meses, e outras tantas coisas na minha vida. E pelos vistos, na dela também. Certo dia, vivo outro daqueles momentos estranhos e sem sentido. A Madalena anda instável, está há quatro meses em casa com a irmã e a mãe e não está a resultar. Decidimos fazer um esforço e colocá-la novamente no colégio, a Bárbara diz que não aguenta mais e que só consegue concentrar-se e estudar para começar a enviar curriculum para ofertas de emprego, se ela voltar para o colégio. Mas ela está instável, e decidimos juntar duas coisa numa: a Mercedes vai para a avó no fim de semana, e eu vou com a Madalena para fora, assim a Bárbara pode estudar, e a Madalena tem um fim de semana tranquilo e diferente, com a atenção para ela, para lhe renovar a auto-estima e dizer-lhe que vai de novo para o colégio.

Ficamos em Azeitão. Estamos no início de Maio. Passeamos, vamos à praia, jantamos fora, e a minha filhota de cinco anos acabados de fazer parece uma crescida. Na manhã seguinte digo-lhe a novidade e ela fica radiante! De regresso, penso o que havemos de fazer o resto do dia, e decido ir a uma festa em casa de um amigo, com ela. A festa reune mais gente do que tinha imaginado, várias crianças, e qual não é o meu espanto quando encontro a Joana lá, com um amigo comum!

Ficamos contentes por nos encontrar, primeiro a conversa trivial, e depois em poucos instantes ela percebeu que eu não estava bem, porque estava sozinho ali por um motivo, e ela contou-me que se tinha separado. Passamos o resto da tarde a conversar, e a dada altura, inclusive uma rapariga que estava na festa faz um comentário qualquer como se fossemos os pais da Madalena. Curioso, na altura brinquei com isso e nem sequer me passava pela cabeça.

A única coisa que aprendi naquele dia, com tantos casais e gente com putos à minha volta, com amigos recentes e outros mais antigos, com toda a envolvência do fim-de-semana, é que a vida dá muitas voltas, e quem sabe, talvez até seja possível reorganizar a vida mais tarde, mesmo que se tenha filhos, mesmo que tudo pareça confuso...

Passaram-se mais dois ou três meses, até que encontrei a Joana novamente, depois de tentarmos marcar um qualquer encontro. Mas umas vezes não podia um, outras vezes o outro. Uma vez encontrei-a quando fui com as miúdas ao parque, outra vez tomamos um café com uns amigos. De todas as vezes estava longe de imaginar o que se viria a passar. Sentia apenas uma enorme empatia, uma grande amizade, a segurança dessa amizade, o à-vontade que traz estar com alguém que conhecemos há uns dezoito anos! Mas ao mesmo tempo que via tudo isso, estava longe de imaginar qualquer tipo de 'faísca' entre nós.

Em Julho decidi separar-me da Bárbara, e depois disso, comecei a pensar que talvez pudesse vir a acontecer alguma coisa entre mim e a Joana, embora me parecesse improvável. Não lhe escondi isso, deixei tudo às claras.

A par com as discussões, com a ausência prolongada de amor lá em casa, com o silêncio, com os comentários contra mim ao telefone com outras pessoas, crescia em mim algo que nunca tinha sentido antes. Pensei que não fazia sentido, mas naquele momento era inevitável. O afastamento da Bárbara era definitivo, já não dormiamos juntos há algum tempo, e a partilha do mesmo espaço era uma questão de tempo, de um tempo que parecia apenas sufocar-nos.

Certa noite, seguro da minha decisão, pedi à Joana que viesse ter comigo e encontrei-a na praia. Eu absolutamente solto, meio perdido, apenas decidido a roubar-lhe um beijo. Ela tranquila e doce, a pensar que íamos beber um café ou algo assim. Atrevi-me, porque era aquilo que desejava. Seguro de mim, do que sentia, no entanto sem compromisso, sem complexo, sem tempos ou prazos para decisões.

Aquilo que sentimos era algo tão certo, que não deixou margens para dúvidas, como se sempre tivessemos estado juntos. E assim cresceu, e cresceu, até hoje. Eu descobri na Joana um amor que eu não sabia existir. Com respeito, com carinho, sempre com um sorriso para mim. Descobri que é possível viver com alguém ao nosso lado que nos ama incondicionalmente, e isso é fabuloso. É exactamente aquilo que deve ser!

Sim, eu sei que não fica nada bem na fotografia. Sei que um pouco da mágoa da Bárbara vem daí mesmo, porque se sente trocada. Não foi. Aquilo que vivemos foi aquilo que vivemos, e eu só espero que um dia ela encontre alguém assim: alguém que a ame, e que ela ame de verdade. Porque hoje sei ver que por muito que a Bárbara tenha gostado de mim, e eu dela, o verdadeiro amor não é assim. O amor vê-se nas grandes e nas pequenas coisas, nos gestos que se demonstram, naquilo que somos e que transmitimos. E isso só é possível se o amor for sentido, emocional e verdadeiro. E o nosso já não era assim há muito tempo. E em alguns aspectos nunca foi. A Bárbara não foi trocada. Se calhar, ninguém é. As coisas entre nós já estavam mal há uns quatro anos, muito mal há mais de um ano (naquela altura), já tinhamos tentado de tudo, desde terapia familiar, a dias fora sozinhos, momentos só para os dois, tudo. Nada resultou. Terminou o que tinha de terminar, e depois, naturalmente e porque estava destinado, eu encontrei alguém.

Alguém que me apoiou muito. Confesso que pensei demasiadas vezes se me poderia aventurar assim numa nova relação. Pensei que eu, na minha vidinha complicada, a separar-me, com duas filhas pequenas e um cão enorme, estava longe de ser o 'par ideal' para alguém. Mas encontrei alguém com um amor tão grande e verdadeiro por mim, que me disse que não tinha como não se envolver, porque já estava envolvida. E por muitas dificuldades que isso pudesse trazer, ela estava ali porque sim, decidida a estar comigo.

Parece estranho que possa ser tão rápido, tão decisivo, desde logo. Mas foi mesmo assim, e isto é apenas uma pequena parte do que faz disto tão tão mágico! Pensei que seria difícil, e pensei que de facto, seria melhor se eu me pudesse separar primeiro, depois estar um tempo sozinho, e passado uns meses encontrar alguém, encontrá-la e começar um relacionamento. Não foi nada assim, não foi possível, foi incontornável. Ter alguém como a Joana ao meu lado foi muito bom. Ajudou-me a sentir que existe algo diferente, que a minha vida iria mesmo ser melhor, completamente diferente, depois de estar mesmo separado. E ajudou-me a ter a certeza de que este era o caminho certo para mim. Não estou arrependido de nada!

Tínhamos começado a passar os fins de semana separados com as miúdas, alternadamente, e de vez em quando comecei a sair com ela e com alguns amigos. Não queria que as miúdas sentissem uma confusão maior, ao ver-me com alguém, por isso estive com elas e com vários amigos, mas sempre com a Joana como uma amiga, que elas conheceram como tal. Porque queria que resultasse, porque é importante para as miúdas, só quis que elas estivessem bem com ela, o que acabou por acontecer. Elas habituaram-se à minha amiga Joana, e gostaram dela como sempre gostaram dos nossos amigos.

Não quis que se apercebessem de algum relacionamento entre nós enquanto eu e a Bárbara não estivessemos a viver em casas separadas, o que só aconteceu em Dezembro. Hesitei como lhes havia de dizer, porque elas são muito importantes para mim, e as pessoas que mais respeito no mundo inteiro. Sei que são pequeninas, não as queria magoar, e apesar de lhes poder esconder algo como isto por meses e meses, não o queria fazer, porque elas são importantes para mim, a Joana também, e o relacionamento que temos algo muito, muito importante para mim.

Como por magia, a conversa surgiu naturalmente, e correu muito, muito bem! A reacção delas foi o oposto do que esperavamos. Ficaram muito contentes, e a partir daquele momento, sobretudo a Madalena ficou a sentir a Joana como muito mais próxima dela, e isso foi óptimo. O relacionamento com a Mercedes sempre tinha sido mais forte, e continuou a desenvolver-se normalmente. No fundo, aquilo que elas sentiram é que o pai estava a viver um amor, algo que elas têm o privilégio de presenciar e aprender. Algo que elas nunca viram nos pais, pelo que não consideram uma substituição, uma troca.

Antes de me decidir separar pensei vezes sem conta que estava a destruir aquela ideia de família perfeita que tinha construído. Daquela família que é para a vida toda. Sobretudo, ao pensar nas miúdas, porque sabia que teriam para sempre os pais separados, e isso nunca é o que uma crianças deseja. Mas mais importante do que ter os pais juntos, é ter os pais felizes! E isso foi aquilo que eu descobri. E elas precisam que eu seja feliz por mim, não por elas. Porque é isso que eu lhes desejo, que sejam felizes por si mesmas, e nada como eu ser o exemplo, o modelo daquilo que quero que elas sejam, para que possam aprender, e crescer assim!

Hoje, elas encontraram muito mais do que isso: encontram um pai feliz, completo, e que têm um relacionamento equilibrado e feliz, para que elas possam saber como é o amor. Têm, como a Madalena disse: 'uma mãe do coração' que gosta delas, e que aos poucos se vai tornando mais e mais delas, e que em tão pouco tempo elas já consideram como parte da nossa família. Não substutui a mãe. Como ninguém substituirá o pai, como os 'avós emprestados' que têm não substituem os avós 'verdadeiros'. Mas o amor que cada um lhes dedica, isso sim é importante, e no coraçãozinho delas há espaço para todos, desde que esse amor seja saudável, justo, equilibrado e verdadeiro!

Na família delas, entre os nossos amigos, há algumas histórias de separações. Umas com contornos mais suaves do que os outros. Todos se pautam por pessoas que se separaram por um motivo. Se esse motivo for a busca da felicidade, então eu acho sempre que fizeram bem. Alguns encontraram antes a outra pessoa, outros anos depois. Se pensarmos bem, não há muito que condenar. A vida leva-nos por caminhos que por vezes desconhecemos, e é legítimo que todos procuremos ser felizes!

As minhas filhas têm um pai preenchido e feliz, e assim é o tempo delas quando estão conosco, na nossa casa! Eu sei que pode parecer um pouco precipitado escrever tudo isto aqui. Mas parece-me importante! De todas as lições que aprendi, muitas ao longo dos últimos meses, esta é a maior de todas, e aprendi com a Mercedes, a Madalena e a Joana. É mesmo possível refazer a nossa vida. O amor não segue as mensagens subliminares que nos tentam passar, não se rege por tempos mais ou menos longos, não se compra com dinheiro algum. É possível que as minhas filhas encontrem em mim sempre o mesmo 'porto de abrigo' que sentiram com o pai, mesmo não encontrando a mãe ao seu lado. É possível que outra pessoa, carregada de emoções e sentimentos verdadeiros, lhes ensine e aprenda muito com elas, e lhes sirva também ela de exemplo, de modelo, de 'porto de abrigo'. Isso não retira lugar a ninguém. Dá-lhes apenas o privilégio de ter mais uma pessoa importante nas suas vidas. O mesmo se passa com os amigos, a família, os avós, tios, e os avós e tios 'emprestados'. Com todos eles aprendemos e crescemos!

Quando estamos juntos, somos a família 'improvável'. Ninguém suspeita que a Joana possa não ser a mãe delas, mas não é. E para elas isso é simplesmente natural. A Joana é a Joana. Não é mais nem menos por isso. Faz parte. Ninguém lhes pode retirar isso, e isso só é positivo para elas. Elas têm mais alguém que gosta muito delas, que as acolhe, e que as protege. Alguém que as guia, e alguém que ama o seu pai! Isto é muito, muito mais do que eu esperava encontrar!

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2010/01/08

é um novo ano!

Já passou do tempo, mas tenho andado muuuito ocupado! Por isso, desejo só agora, a todos, um EXCELENTE ano de 2010... Surpreendente! Carregado de amor, de emoção. É o que desejo para mim, e para os meus estimados leitores.

2010 parece título de filme espacial. Talvez seja. Chegámos cá! Não andamos de fatos cromados, não temos naves espaciais, e apesar de haver por aí autênticos extra-terrestres, ainda não consegui encontrar o Dr. Spock. Se dois mil e dez não for espacial, que seja especial!

Aqui, na terra, pelos meus lados, vive-se tempo de mudanças. Grandes mudanças. Trazem diferenças abismais, trazem esperança de um futuro melhor, trazem um presente com momentos doces, daqueles que ficam o coração, e outros duros e desconexos, daqueles que nos móem a alma. Para 2010, para além de desejar o amor, a felicidade, a tolerância das pessoas, desejo a verdade, a justiça acima de tudo! Essa mesma que parece ficar esquecida entre advogados e tribunais. Aquela que se apoia em questões sem qualquer sentido, esquecendo o coraçãozinho das minhas filhotas, e que se cega para atingir determinados fins. Neste momento, não a entendo...

Quando estou com as miúdas, elas parecem-me sempre bem! Os dias passam tranquilos, e elas transparecem segurança, tranquilidade. Lêm o amor, aprendem o que ele é, conosco. Descobrem que têm uma família que as ama, e onde se sentem acolhidas. Pais mais felizes fazem crianças felizes! Sempre tinha razão.

Pedem-me sempre para ficar mais uns dias, e custa-me não lhes poder dizer que sim. A Mercedes faz isso de um modo directo, simples e despreocupado, nos seus três anos, e com a sua forma descomplicada de pensar. A Madalena, com cinco, pensa e argumenta quando lhe explico que daí a uns dias vamos estar juntos outra vez. Diz-me que quer na mesma ficar mais, porque fica sempre mais tempo em casa da mãe do que em casa do pai, e depois tem saudades... Conta os dias todos, de uma forma surpreendente! Outro dia disse-me quantas noites tinha dormido em casa da mãe, e eu pensei que não podia ser... mas ela sabe-o! É impressionante.

Não as quero magoar. Não as quero colocar no meio de uma guerra que não é a delas. Elas só precisam de ter os pais que as amam perto delas. Porque ambos lhes fazem falta. Precisam de sentir isso, e melhor será se encontrarem os pais felizes, ainda que separados. Se um dia os pais puderem voltar a dialogar, a sorrir um para o outro, melhor será para elas.

Mas como é que se explica a duas crianças, com três e cinco anos, que sim, o pai também gostava de estar mais tempo com elas, mas não pode, porque a mãe não quer? Porque para elas, o pai e a mãe são iguais, valem o mesmo, e não faz sentido que se a mãe não quer, mas o pai quer, e elas também querem, eu não possa ficar... Porque é que, na verdade, eu não posso ficar?! Como é que se explica a estas crianças que o pai não fica porque... os advogados, os tribunais, ou o ministério público assim não quer, porque a mãe não permitiu e pela jurisprudência ou seja lá o que for, costuma ser assim, ainda que, para nós, não faça qualquer sentido... Como? Na cabeça delas está uma grande confusão, sobretudo da Madalena que pensa mais nisso, e que acaba por não perceber, e pensar que talvez, só talvez, o pai não fique mais tempo com ela porque não quer. Será essa a jogada? É porque isso foi o que a Bárbara deu a entender na escola dela. No entanto, quando eu peço para ficar mais uma noite que seja com elas, é o que se viu, como na cena do circo... Diz que quer começar a cumprir mesmo o que está no acordo, e que eu estou sempre a querer alterar o que lá está. Eu do acordo só quero alterar a questão do tempo que estou com elas, porque lhes faz falta mais, e a mim também!

Não faz sentido que eu tenha de pedir para ficar com elas mais uma noite de vez em quando, e que volta e meia ela as deixe a dormir em casa da mãe, porque tem coisas para fazer. Seria normal, está no direito dela de fazer o que entender, e de as deixar com quem quiser. Mas não quando eu quero SEMPRE ficar com elas, e ela me nega essa possibilidade. Não faz sentido, é mesmo só para me magoar, mas esquece-se é que as está a magoar primeiro a elas, que mais do que a mim. Não lhes está a assegurar o bem estar, o equilibrio, a felicidade a que elas têm direito, e isso é aquilo porque eu vou sempre, sempre lutar, até conseguir!

Não consigo entender porque motivo ela não quer sequer experimentar a guarda alternada, uma semana em casa de cada um, para ver, pelo menos, como resulta. Por elas, não valerá a pena? Ou pelo menos, assumir uma postura menos rígida, de modo a deixá-las mais à vontade, de acordo com o que elas desejam. Há tanta, tanta coisa que não consigo entender que uma mãe faça...

Estive com elas há duas noites, a jantar em casa de um amigo. Elas queriam ficar, uma vez mais, e expliquei-lhes que era só mais a quinta-feira, e depois quando acordassem sexta, já era o dia do pai ir buscar. Não ficaram convencidas, queriam ficar logo, e eu também, tanto, TANTO! Mas é já hoje, está quase, e vai ser [uma vez mais] PERFEITO!

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2009/12/18

que raio?

Questão: o que raio pode levar uma mãe a não querer deixar as suas filhas ir ao circo? Só porque vão com o pai? Todos os anos ela insistia tanto para ir AQUELE circo... Ainda ontem me dizia que lhe dava mais jeito que ficasse com elas hoje, mesmo, e sugeria que trocassemos a 5ª com a 6ª. Não faz sentido. Só as quero levar ao circo. Claro que estou disponível para ficar com elas, mas não tenho de trocar dia nenhum só porque as quero levar ao circo. Não fui eu que inventei o circo, e elas estavam cheias de saudades de mim ontem... como se pode ler aqui ao lado.

Será que alguém explica a esta mãe que não estou a prejudicar em nada as miúdas, levando-as ao circo? Será que alguém lhe explica que tem de começar a fazer um esforço para distinguir o que ela sente do que as miúdas sentem? É que eu tenho noção que ela será sempre importante para as minhas filhas, como eu serei sempre importante para elas. Não vale a pena ela tentar ganhar-me tentando constantemente acentuar o afastamento. As coisas não funcionam assim. Isto não é nenhuma corrida.

E alguém me dá um motivo válido para não as ir buscar e levar ao circo? É que eu acho mesmo que ela ainda não percebeu que eu não tenho de lhe pedir AUTORIZAÇÃO para estar com elas, eu tenho apenas de COMUNICAR com alguma antecedência, o que fiz. Se ela tinha algo marcado para esta noite, devia ter-me informado. Não era deduzir que se trocavam os dias, e dizer-me isso dois dias antes. Só ontem, depois de eu insistir que as ía buscar 5ª na mesma, acabou por mudar o texto e dizer que então tinha coisas marcadas para 6ª com elas... não era para 5ª há uns minutos atrás? E o que é que está marcado então, que ela não me disse quando lhe falei do circo há duas semanas atrás?

Estou à espera dos vossos comentários, como dantes! Não se inibam, este espaço serve para isso mesmo.

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2009/12/17

os dias sem elas

Segunda feira deixo-as nas respectivas escolas, e ficam bem. Opto por não lhes ligar ao final do dia de 2ª, e ligo-lhes só na 3ª. A Mercedes parece bem, faz perguntas como habitualmente. A Madalena pergunta prontamente quando a vou buscar de novo... Custa-me, explico-lhe que estarei com elas novamente 5ª feira, e digo que não falta muito.

Fui buscá-las hoje, e noto-as agitadas. Assim que chego a Mercedes vem para o meu colo, e diz que quer ficar muitos dias comigo, 'estes' e estende as duas mãos com quantos dedos tem! É lindo vê-la, tão doce e impulsiva. Despede-se da mãe, e saímos contentes para ir buscar a mana.

Chegamos à escola da Madalena, e ela fica contente quando me vê. Consigo ver o seu olhar curioso à saída, e o sorriso abrir-se quando me vê. Abraça-me e diz que tinha saudades minhas. Diz que hoje chorou na escola por mim, porque tinha saudades minhas, de que a fosse buscar. Pergunta quantos dias vão ficar comigo, e explico que é apenas um ou dois. Diz-me que a mãe lhe disse que apesar deste ser o fim de semana dela, que eu tinha uma surpresa e ía ficar com elas... Explico-lhe que não é bem assim, e elas já sabem que é suposto irmos ao circo, acho que ouviram a conversa com os primos, no aniversário do meu avô, no fim de semana.

Chegados a casa fico com a sensação de que querem viver tudo num instante, querem a minha atenção, brincar, desenhar, cantar, etc. E fazemos de tudo um pouco, porque as fui buscar mais cedinho...

Mais tarde, e já mais tranquilas, a Madalena diz que quer ficar no fim de semana comigo... Explico-lhe que não pode mesmo ser, que esteve no fim de semana passado comigo, e que este é o da mãe, que não seria justo se estivesse sempre comigo. Ela não parece entender, por vezes a justiça não anda de mãos dadas com o que sentimos... Pode ser justo, mas talvez não seja o melhor para elas.

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2009/12/14

...e o que é importante!

Peço desculpa por não ter colocado logo este post aqui. Segue agora, porque há coisas que quero que sejam lidas no momento certo. E ao mesmo tempo que quero contá-lo a todos os que gostam de mim e se preocupam com as miúdas, é algo que me deixa tão feliz que não quero partilhá-lo com quem me deseja tanto mal. Não agora.


Há já algum tempo que me sentia mal por não deixar claro às miúdas que estava com a Joana. Pensei que o melhor para elas seria se tudo fosse um pouco mais devagar, embora o amor que sinta por ela seja algo absolutamente diferente, tranquilo e seguro. Mas pensei que, pelo melhor para as miúdas, seria ideal que elas primeiro conhecessem bem a Joana, se sentissem confortáveis com ela, como se sentem com os nossos amigos. Depois que se apercebessem de que ela era uma amiga um pouco mais presente do que os outros. E só depois, com uma aceitação mais presente, lhes explicasse de um modo natural que estavamos juntos. Nesse momento isso já não as iria poder magoar, de alguma forma. Gostaria que isso acontecesse talvez daqui a uns meses, esperei que a Bárbara saísse de casa, depois esperaria que eu saísse daquela casa também, tudo gradualmente...


No entanto começaram a surgir comentários da outra parte. Propositados ou não, ouvi as miúdas dizer que 'quando se casa é para sempre', e que 'o pai vai viver para casa da Joana', e não queria mesmo que isto fosse algo que lhes fosse transmitido da maneira errada. O modo como elas vêm a Joana, o que sentem, deve ser algo positivo, e é, na realidade, quando estamos juntos. No entanto, a informação que lhes é passada pode ser contra-producente, e acabar por as magoar, o que não faz qualquer sentido. Eu entendo que para a mãe delas possa ser difícil, acaba por se sentir trocada, ainda mais quando acha que nós já estavamos juntos antes de eu ter decidido separar-me. Um dia ela entenderá que a nossa relação já não estava bem há muito mais tempo atrás... muito antes de nos separarmos.


Falei com toda a gente com quem me aconselho. Família, amigos, psicólogos. E todos me disseram que, apesar de cedo, o melhor seria mesmo ser eu a dizer-lhes. E foi o que fiz. Decidi que tinha de lhes dizer este fim de semana, e só não sabia como o fazer, a duas crianças tão pequenas. Sentiriam elas que o pai estava a trocar a mãe? Ou que lhes estava a tentar arranjar uma mãe nova? Não queria nada disso... Não sabia como abordar. Decidi estar com elas 5ª, normalmente, 6ª juntei uns amigos, os tios, os primos e a Joana, e Sábado fiquei novamente com elas sozinho.


Num momento tranquilo, a Madalena decide dizer-me que gostava que houvesse uma mulher lá em casa. Pensei: ok, ela quer a mãe de volta, não estará certamente a falar da avó, ou de uma empregada!!

Chamei-as para perto de mim, e expliquei-lhes que agora os papás estão separados, mas que, cada um na sua casinha, irão sempre gostar muito delas, e estar lá para tudo o que for preciso! Ela respondeu que sabia, mas que o que ela queria era ter assim 'uma mãe do coração' lá em casa, e um pai do coração em casa da mãe.

Se tinha dúvidas, ela não podia ter sido mais clara!

Expliquei-lhes que o pai já lhes tinha dito que gostava muito da Joana, e ela também gostava muito do papá e delas. Elas disseram que sim, e que também gostavam muito dela. Na verdade, estão sempre a perguntar por ela! Depois expliquei-lhes que nós gostavamos um do outro de uma forma especial, e que estavamos a namorar.

A Madalena olhou para mim com um sorriso enorme, ar maroto, a Mercedes sorriu também, e a primeira disse espantada: 'Namoram?! Mesmo pai?'

De seguida vieram um monte de perguntas, entre as quais porque é que então ela não podia estar sempre lá em casa conosco, morar mesmo conosco, e tudo isso, e eu expliquei-lhes que a seu tempo isso poderá acontecer, se elas gostassem, e se estivessemos todos de acordo. Elas ficaram muito contentes, a reacção não poderia ser melhor!

No dia seguinte estivemos juntos, e eu nada tinha a esconder dos meus dois tesourinhos. Elas ainda pediram à Joana para ficar lá conosco, mas nós decidimos esperar mais um pouco. Isso acontecerá, como tudo, no momento certo! Mas elas estiveram um doce, tranquilas e felizes, com o coração maior, por receber o amor de mais alguém, que sendo ou não da família, pertence aos seus coraçõezinhos!...

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o essencial...

Fui buscar as miúdas na 5ª feira, e trouxe-as com a roupa que tinham no corpo, nada mais. Minto: a mãe mandou para a Mercedes os sapatos, porque como tinha sido dia de ginástica, vinha de fato de treino e ténis. E mandou outros ténis. E os ó-ós delas.
Ora deve ter sido para isso que ela me disse que 'preferia' que lhe mandasse de volta a roupa que tinha levado comigo no último fim de semana que tinha estado com elas na casa dos meus pais, há 15 dias atrás. Talvez ela 'preferisse' ficar com a roupa toda. Assim como 'preferiu' levar a roupa delas toda, à excepção de duas camisolas interiores antigas e gastas, dois pares de cuecas para uma delas, um pijama, um fato de treino e um casaco... enfim, o que não quis levar. Nada mais.
Para uma mãe que parece estar tão interessada em ficar com as miúdas, não me parece que esteja a zelar por um instante pelo seu conforto. Estive com elas de 5ª a 2ª e foi fantástico! Não tivemos imeeensa roupa para trocar, porque ainda não tive oportunidade de comprar as roupinhas todas para preencher os roupeiros delas. Comprei o essencial, de acordo com o que pude gastar. Apesar de lhe ter pedido que, pelo menos, enviasse de volta as coisas que comprei ao longo dos últimos um ou dois meses, e que comprei com o meu dinheiro (pensava eu que ainda era 'o nosso', como ela dizia), e de acordo com o meu gosto.
Nada, se quiser, que compre tudo de novo. Portanto agora estamos nesta onda de frequência. Elas vêm como estão, vestem o que houver, brincam com o que restou. Pergunto-me se fosse ao contrário, como faria ela? Se fosse ela que tivesse ficado ali em casa, sem os móveis das miúdas, com os brinquedos e as roupas que lá deixou, o que sentiria ela? Sentiria que era justo? Que era o melhor para as miúdas? Às vezes é tão simples como isto: basta colocarmo-nos na posição do outro, para saber se estamos a agir bem.
Mais uma vez, faltou o diálogo...

Com o essencial, as miúdas estiveram bem, confortáveis, divertidas, tranquilas. Fizeram um monte de perguntas e obtiveram respostas para o que lhes é verdadeiramente importante! Não podia querer mais, as minhas filhotas são espectaculares!!

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fim de semana

O nosso fim de semana foi ab-so-lu-ta-men-te espectacular!

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2009/12/11

a chegar a casa (ainda ontem)

As miúdas saem do carro, fazem uma festinha ao Chico, e comentam como ele está macio e limpinho. Dei-lhe banho... 2 vezes, nos últimos 15 dias!!
Ao entrar em casa, olham à volta e dizem: 'Que limpinha que está a casinha... e arrumada!'
Pois, de facto, não há termo de comparação possível!

A noite decorreu tranquila. Dormimos todos muito bem.
Ao deixar a Madalena, disseram-me que outro dia ela se tinha zangado com um amiguinho à tarde e tinha chamado pelo pai... as pessoas daquela escola entendem muito bem o que se está a passar, e pelo simples olhar demonstram a sua compreensão, e isso é muito bom!

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2009/12/10

a caminho de casa

Depois de pedir para ficar com as miúdas de 2ª para 3ª, e de 3ª para 4ª, uma vez que 3ª era feriado. Depois de passar todos os fins de semana que fiquei com elas (alternando com a Bárbara), fora, em algum lado, de modo a não estarmos em conflito na mesma casa. Depois de sair nos fins de semana em que ela estava com as miúdas, para não discutirmos mais em frente a elas. Depois de passar o mês de Novembro quase todo fora de casa, indo na mesma buscá-las, dando-lhes banho, jantar, e deixando-as na cama, só para evitar mais e mais discussões e confrontos... finalmente estamos separados e 15 dias depois, estou de novo com as miúdas e finalmente em minha casa, tranquilos, os três!

Tive de ir para fora uma última vez, com elas, para casa dos meus pais, para que ela fizesse as mudanças. Levou com ela tudo o que quis, sem me consultar (tirando a mobília dos quartos das miúdas, que tínhamos concordado que levava). Mais uma vez, não houve diálogo, e só não levou mais coisas porque foi para casa da madrinha dela, e não devia ter espaço para mais. Mesmo assim deixou-me apenas um conjunto de toalhas, e duas camisolas interiores das miúdas. Os quartos delas ficara vazios, com apenas alguns jogos, os brinquedos de bebé que já não usam, e alguns brinquedos partidos ou estragados. Tudo o que elas mais brincavam ela levou. Em dois dias, comprei os quartos novos para elas e montei tudo! Arranjei os brinquedos estragados, e arrumei tudo para ficar com um aspecto confortável. Comprei comida para elas, porque não ficou nada. Comprei escovas de dentes, champô, secador de cabelo... Quanto mais procuro, mais encontro coisas que faltam, e não faz sentido, porque ela pode tanto comprá-las como eu, mais até, agora!

As miúdas vieram cá a casa na semana passada, e ficaram comigo de 4ª para 5ª. Fizemos a árvore de natal (que também tive de ir comprar, com os enfeites todos), e dormiram felizes e tranquilas, nas caminhas novas, depois de estranharem a falta de brinquedos, e de algumas coisas que não tive tempo de comprar. Mas estiveram bem...

No caminho para minha casa a Mercedes disse-me que estava a gostar de estar na casinha da Zé. Perguntou-me onde estava eu a morar, e respondi-lhe que na mesma casinha. Ela disse que a mãe lhe disse que a casinha da Zé agora era MAIS a casinha dela do que a minha. E eu só lhe disse que o que interessa é aquilo que ela sente, não o que lhe dizem. E que a casinha do pai será sempre, sempre a sua casinha, onde quer que esteja!

Terminaram o dia a dizer que queriam ficar mais dias. Expliquei-lhes que logo logo iriam voltar...

Continuando... Esta semana pedi depois para ficar com elas a partir de 4ª, e depois 5ª. Finalmente consegui ir buscá-las um dia antes do 'acordo'. Se calhar é importante que haja uma transição, que se respeite a vontade das crianças, não?

No caminho para casa, e já a matar saudades, a Mercedes diz que tem saudades do pai, e faz algumas perguntas. A Madalena, assim que entra no carro, sorridente, diz que tem tido muitas saudades do pai, e que tem perguntado várias vezes à mãe quando é que pode ir para casa do pai novamente. Esta responde-lhe que qualquer dia vai visitar o pai novamente... Visitar, foi a expressão que a minha filha utilizou!! Expliquei-lhe que sim, ela deve transmitir o que sente, quer ao pai, quer à mãe. E se quer estar mais tempo comigo que o pode dizer, até porque eu quero sempre estar com elas! A conversa acaba com a Mercedes a dizer que quer estar sempre com o pai...

A noite decorre tranquila, até elas adormecerem... em casa!

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conteúdos repetidos

Eu peço desculpa, se por [demasiadas] vezes, o conteúdo dos meus posts aparecer repetido. Tento vezes sem conta recomeçar a contar a mim mesmo esta história, de modo a tentar sistematizar e organizar ideias na minha cabeça. Não é fácil! O tempo foge-me, por vezes perco-me, e depois acabo por me repetir.

Vou tentar no entanto, ir escrevendo sobre os diversos temas que envolvem toda a situação que estou a viver, e que me ajudam [tanto!] a encontrar o meu rumo, e a ter mais e mais certezas das minhas decisões. Quero escrever sobre a guarda alternada, sobre o acordo, sobre as leis, sobre a estatística, sobre as palavras mal ditas e atitudes erradas, sobre a vontade das miúdas e irredutibilidade dos pais. Quero escrever sobre a psicologia, dos adultos e das crianças, sobre o equilibrio, sobre as discussões, sobre o afastamento, sobre o encontro com o amor, sobre o inesperado e certo, sobre o modo como isso pode ser visto, no meu caso, e mesmo nos casos em que surge antes da separação, porque quase sempre já há algo errado, que dá espaço a que algo aconteça, mesmo que só em pensamento. Quero falar sobre dinheiro, sobre trabalho, sobre honra, sobre carácter. Sobre escrupulos. Sobre egoísmo. Sobre defender, acima de tudo, os interesses, a paz, e o bem estar das crianças. Ou sobre o contrário. Vou escrever sobre o que é ser pai, e ser mãe. Sobre o que é ter uma família. Sobre os modelos, sobre os sorrisos, sobre as lágrimas. E vou misturar tudo isto na minha história, entrelaçada em tantas outras como esta. Para me ajudar, para me guiar. Para que aqui outros encontrem o seu lugar, se identificando, talvez, num ou noutro ponto.

em final de Novembro, a escrever isto

Bom, parece mesmo que tenho de começar por algum lado. Custa-me imenso escrever aqui, custa-me imenso rever e encarar a realidade que estou a viver… Mas as coisas são como são, e quando tenho o apoio dos meus amigos e da minha família, do modo incondicional que tenho, vendo-os acreditar sempre em mim, dizendo-me que sou muito mais forte e com a certeza de que vou dar a volta por cima, sinto que lhes devo de facto isso. Em paralelo, e com uma força, uma energia, e uma paixão que me é incontornável, tenho as minhas filhas: o meu maior tesouro e parte importante da minha decisão de me separar, a dizer-me constantemente que desistir é impossível!

Então vamos lá. Com a simplicidade e frontalidade necessária. É o único modo de não perder a objectividade e saber contar a minha história. Esta história não começa aqui. Vocês sabem! Ela encontra-se descrita na minha própria história, em letras que se publicam por aqui, e por aqui, e ainda por aqui, e que não foram todas escritas agora. Nem nos últimos 4 meses. Nem no último ano, nem apenas nos últimos três anos.

Se seguirem com atenção tudo o que escrevi, encontrarão nas entrelinhas, e tantas vezes nas próprias linhas, a antecipação daquilo que aconteceu agora. Hoje, sinto que quando pensamos que as coisas não estão bem, que algo poderá acabar mal, é porque normalmente já não está bem. E acabará mesmo mal. Se não for em separação, poderá acabar apenas com um casal infeliz, mas que permanece junto. Ou com duas pessoas descontentes, que deixam de ser elas próprias.

Não é o mais importante, contar o início desta história, mas já que comecei, vou tentar dar uma ideia geral. Como se pode encontrar, as discussões começaram entre nós mais a sério antes ou pela altura da Bárbara engravidar da Mercedes. Recordo-me de antes disso haver discussões, diversas durante o namoro, situações complicadas, algumas bastante graves, mas penso que conseguimos superar um pouco isso. A minha vontade de que tudo resultasse era imensa. Queria transformar a vida da Bárbara em algo que nunca tinha sido, e acho que consegui, em parte. Não que isso a tenha feito, na realidade, feliz. Quanto mais regresso atrás agora, mais vejo que as coisas já estavam destinadas assim há mais tempo. E quanto mais tempo decorre agora, quantas mais coisas acontecem, mais me parece ser logo desde o início.

A verdade é que cedi em imensas coisas, vezes demais. E depois fiquei sempre a acreditar que ela ía mudar, que as coisas iam mudar, e que tudo ía ficar bem depois. Mais tarde. Sempre mais e mais tarde. Depois acreditei que ficaria tudo bem quando acabássemos os cursos e fossemos independentes. Depois quando tivéssemos uma casa. Depois quando casássemos. Depois quando tivéssemos uma filha. Depois duas. Depois uma casa nova. Depois e depois e depois… Até que cheguei à conclusão que estava à espera de um dia que poderia nunca chegar, que provavelmente nunca iria chegar…

Em paralelo, as discussões aumentaram bastante pela altura em que a Bárbara engravidou da Mercedes. Isso provocou alterações no comportamento da Madalena. Afastou-nos imenso durante a gravidez, e mesmo depois de nascer a Mercedes, nas histórias que se contam aqui, e em muitas outras que o tempo se encarregou de apagar. Passaram-se dois aniversários meus sem que a Bárbara me desse os parabéns. Sem que me desse um beijo de parabéns. Passaram-se dias, semanas, meses, sem um beijo, sem um carinho. As recusas foram imensas… Ao início, embora imaginasse que morar juntos devia ser algo diferente, habituei-me a não receber da Bárbara aquilo que esperava. E habituei-me a pensar que se calhar era mesmo assim, com ela, e que me teria de bastar aquilo que eu sentia, e transmitir-lhe isso. Com o tempo, para além de não me dar o que eu queria receber, a Bárbara deixou de querer receber aquilo que tinha para lhe dar. E então eu pensei que podia viver só com aquilo que sentia. Recordo-me de, por diversas vezes, me sentir inteiramente feliz ao olhar ‘de fora’ para a minha vida, que me parecia perfeita. Mas na realidade, algo me dizia que não era. Na verdade, o que parecia não era a realidade. Com a proximidade de uma perfeição, aquilo que não está bem ganha uma dimensão maior, e quando me senti crescer, quanto mais feliz estava, mais me parecia que as coisas não podiam continuar assim.

Deixamos de caminhar juntos, para passar a medir forças um a remar para um lado e outro para o outro. Deixamos de partilhar o nosso dia a dia um com o outro, e seguimos caminhos opostos. Senti cada vez um afastamento maior da Bárbara, e vi-a afastar-se de mim, contar a vida dela toda durante horas a outras pessoas, e mal me dirigir a palavra, por mais de um ano. Esperei, tolerei, aguardei. Tentei encontrar justificações para isso, as inúmeras depressões, umas mais fortes do que outras. Procurei ajuda na terapia familiar, nos nossos amigos, etc. E senti as minhas filhotas ser prejudicadas tantas vezes… injustiçadas no tratamento com o qual não podia concordar. Uma mãe não é assim. Ouvi isto tantas vezes…

Mas estes detalhes poderei contar depois.
Cheguei ao momento em que senti que já nada mais havia a fazer. Vi-a novamente desesperar-se, gritar com as miúdas, sobretudo com a Madalena, dias seguidos. E vi-a novamente atirar-se para o chão, em frente a elas. Pedi novamente ajuda, porque uma vez mais vi-me sair de casa com as miúdas por não lhes poder garantir o ambiente saudável a que cada criança tem direito. Entendi, naquela altura, que nada mais havia a fazer, mas faltou-me a coragem para tomar uma decisão. Depois de anos a pensar nas hipóteses todas. Acho que me custou aceitar que tinha falhado, também eu.

Depois de compreender isto, ainda tentei de novo. E de novo, e de novo. E tolerei novas situações. Depois pensei que se calhar, por causa das miúdas, valia a pena eu aguentar mais e mais tempo, e tentar que as coisas resultassem de qualquer maneira, naquele relacionamento cada vez mais distante, mais frio e mais longe daquilo que acreditava.

Depois a realidade chamou-me e disse-me que é possível ser feliz depois de uma separação. Eu já sabia que era capaz de o encarar sozinho. De criar as miúdas sozinho e estar bem, e dar-lhes a estabilidade, o conforto, o amor de que elas precisam. E descobri que é possível reconstituir uma família, ainda que de uma forma diferente, ainda que sozinho, ainda que apoiado na minha própria família e amigos.

Hesitei uma e outra vez mais. Até que descobri aquilo que me faltou pensar ao longo de todo este tempo. E encontrei esta resposta nas minhas filhotas, no meu maior tesouro! Ao pensar naquilo que desejo para elas intensamente, e que é simples… Não quero que elas sigam determinadas profissões, quero que elas escolham fazer aquilo que as realize profissionalmente, e terão sempre o meu apoio nisso. Não me interessa que elas estejam casadas, juntas com alguém, seja um homem, ou mesmo outra mulher, sei lá! Não me importa que estejam até sozinhas, se essa for a sua opção de vida, aquilo que quero é que estejam FELIZES! Na escolha que tomarem, que sejam elas próprias, que vivam intensamente e felizes, da forma que elas acreditam. E se pensei tantas vezes que somos nós o modelo de casal que elas irão seguir, concluí que este não era o modelo de casal que eu queria que elas fossem um dia. Não quero. Mesmo. Para isso, preferia que elas estivessem sozinhas, ou que terminassem a relação, custasse o que custasse. Por isso, a única maneira de eu ser o modelo certo para elas, é eu ser exactamente aquilo que acredito: ser FELIZ! Por elas, custe o que custar! E é isso que vou ser!

Posso ter imensos defeitos. Posso ser um playboy, e trocar de namorada todas as semanas. Posso deixar de trabalhar ou ser um workaholic. Uma coisa é certa: elas saberão sempre que o pai, aquele que está ali à sua frente, as ama incondicionalmente! Serei sempre o seu pai, aquele que estará lá sempre para as acolher, para as proteger, para as amar, abraçar e guiar o caminho com a suavidade de quem dá a mão, de quem coloca uma mão sobre o ombro, de quem afaga um cabelo, e nunca indicando aquilo que devem ou não fazer. As escolhas serão suas, e eu estarei lá sempre!

O pai será o seu pai, autêntico, igual a si próprio. O delas. Com o carácter próprio, e de quem elas se poderão sempre orgulhar. O pai sente, ama, é emocional. Comete erros e assume-os. É teimoso, impulsivo, tolerante até demais. Apaixonado. Amigo do seu amigo. É acima de qualquer outra coisa, o pai da Madalena e da Mercedes!

Como é que é possível, numa separação, decidir o que é melhor para as crianças? Decidi que não valia mais a pena continuar assim porque aquele não era o relacionamento que queria viver, por mim, para o resto da minha vida. E não era este o modelo de pai, de casal, de pessoa, que eu queria ser para as minhas filhas. Disse à Bárbara a 26 de Julho que me queria separar dela, definitivamente. Seis anos depois da minha avó ter falecido. Como por coincidência, como que por um sinal. Sete anos depois de nos termos casado. Quase 13 anos depois de começarmos a namorar.

Depois de todas as vezes que tínhamos falado em separação. Depois de ouvir a Bárbara dizer, de todas essas vezes, soluções como: ‘tu ficas com a Madalena e eu fico com a Mercedes’, ou ‘tu podes ficar com elas, porque eu tenho a certeza que as vais tratar bem e cuidar bem delas’, e por fim ‘ou fico eu com elas ou mato-me’. Em todas estas respostas ou soluções, lê-se o equilíbrio e a capacidade de escolher o melhor para elas e amar, ao mesmo tempo, como ama um pai ou uma mãe. Por fim ouvi-a dizer durante meses que se queria separar de mim, mas que só não o fazia porque não tinha dinheiro, porque estava sem trabalho. Ouvi-a dizer isto a mãe, a amigos, à avó, à minha cunhada. Por fim disse-me que tudo bem, que se separava, mas que a decisão tinha de ser minha, não entendi porquê.

Quando lhe disse que me queria separar, esperei uns dias e quis começar a falar com ela para resolvermos as coisas, para definirmos como íamos fazer tudo, para que em acordo conseguíssemos que tudo decorresse da melhor forma possível. Como estava enganado, uma vez mais… Nunca imaginei que pudesse chegar onde chegou, nunca!

Disse-lhe que a única coisa de que não ía abdicar era de ficar com as miúdas metade do tempo. Sempre fui um pai muito presente, e toda a gente é testemunha disso. Desde que elas foram para casa, da maternidade, sempre lhes fiz tudo. De pequeninas. Desde dar biberão, mudar fraldas, acalmar cólicas durante a noite, levar ao médico, ao colégio, adormecer, dar banhos, etc. Se elas choravam de noite, sempre era eu que ía lá, porque a Bárbara não se conseguia levantar a meio da noite. Mesmo quando eu trabalhava até de madrugada, e ela estava em casa sem trabalhar. Mesmo quando, eu tinha de ir trabalhar cedo no outro dia, e ainda as levava eu ao colégio de manhã. E não estou a falar apenas de quando ela estava com depressões.

E por isso elas habituaram-se a chamar o pai, quando precisam de algo. Isso deve valer algo. Isso está nelas, e em mim. E de facto não se lê nas leis, na jurisprudência, nos tribunais e nas conservatórias que julgam e decidem sobre estas coisas. É algo que se vê apenas nas emoções que as minhas filhotas contêm. Mas tenho-o como algo tão forte, que não me deixa qualquer dúvida de que sempre será assim. A Madalena tem quase seis anos, a Mercedes três e uns meses. A história delas não se começou a escrever agora, ou há quatro meses atrás. E o que elas são, o pai que eu sou para elas, escreve-se, como estas linhas, há muito mais tempo. E não vai mudar agora, nem desaparecer, porque não faz sentido, para elas, nem para mim. Não há leis que o possam mudar. E eu não vou nunca, nunca desistir de lutar por elas. Mas devo-lhes a paz que elas merecem [continua…]

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2009/12/09

questão número um

Vou colocando aqui algumas questões que me ocorrem, com a etiqueta 'questões'. E gostava mesmo de obter respostas do público, ok? Conto convosco.

Esta é sensível, já sei, até porque há por aqui muito mais mães do que pais.

Questão número um:
Porque é que há-de ter a mãe MAIS direitos sobre as crianças do que o pai?

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bom...

...Parece que tenho de escrever aqui qualquer coisa.
Isto porque não vou encontrar tempo, palavras, vontade, para escrever tudo de uma vez. Queria fazê-lo, para que fizesse sentido. Para que pudesse ser lido e compreendido. Interpretado. Não me é possível...
Por isso optei por colocar já aquilo que tenho escrito, neste momento, ou um pouco do muito que tenho escrito. Aos poucos irei colocar o resto. Não são histórias inventadas, antes fossem. São factos, são realidades.
As coisas são como são, não são como querem parecer, ou o que os outros querem aparentar. E mais tarde ou mais cedo, tudo se descobre! O que interessa é o que sentimos, verdadeiramente.

Este espaço, que sempre fez tanto sentido para mim, preenche-se agora de outras histórias. Escuta-se a outros tons, veste-se de novas cores. E liga-se [espero eu] a novos espaços. Outros antigos. Liga-se aqui, aqui, e aqui. Igual a si mesmo, o primeira estrela representa sempre aquilo que eu sinto, de forma mais ou menos directa.

Não pretendo com isto ferir ninguém. Ou destruir imagens poéticas fabulosas que existiam sobre nós. Mas tenho uma história para contar. Tenho um dever para com quem me lê, e tenho uma missão para com as minhas filhas, num compromisso de laços bem apertados...

2009/12/07

filhos de pais em guerra

Os filhos não podem ser separados dos pais...

Salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial.

(Constituição da República Portuguesa, Artigo 36.º, n.º 6.)

Ver a reportagem aqui.

2009/10/26

separação

Sempre que leio sobre o assunto, profissionais, pessoas, todos apelam ao bom senso. Não será fácil, quando se fala de divórcio.

Quanto aos meus direitos paternais [às chamadas responsabilidades paternais] não tenho grandes dúvidas ou questões. Mais do que aquilo que sei, mais do que está escrito na lei, tenho consciência da experiência que vivi ao longo de mais de cinco anos. E mais do que isso ainda, sei o que sinto pelas minhas filhotas, e tenho a certeza do sentimento que elas têm por mim.
Sempre fui um pai muito presente, absolutamente presente. E aqui se encontram partes soltas daquilo que vivi. Sempre tão ou mais presente do que a mãe, habituei-me desde logo que quem acordava a meio da noite para lhes dar o biberão, para lhes mudar a fralda ou aliviar as cólicas era eu, ainda que a mãe estivesse de licença de maternidade, e eu no dia seguinte me tivesse de levantar cedo para ir trabalhar. Aqueles que nos conhecem bem, sabem que sempre foi assim.
Daí passamos para ser eu a levar as miúdas ao colégio, e tantas vezes ir buscá-las, para que não tivessem de ficar lá tanto tempo, mesmo prejudicando a minha disponibilidade profissional. Não digo que não me agradasse, mas por vezes foi complicado. Mas permitiu-me de facto estar sempre presente para as minhas filhas, o que é óptimo!
Sempre as acompanhei às consultas médicas, até ao ponto em que a mãe delas deixou de trabalhar, o que fez com que eu tivesse de me dedicar mais ao trabalho, dispender mais tempo na empresa e trabalhar à noite, depois das miúdas adormecerem, tantas vezes até às 3h e 4h da manhã... Não deixei nunca, mesmo nessa altura, de lhes dar banho e vestir os pijamas, jantar com elas e dedicar-lhes a atenção necessária, acompanhá-las a lavar os dentes e adormecê-las com uma história ou com canções. De facto desde esse período, porque foi muito complicado para nós economicamente, não pude dispor do mesmo tempo, mas mesmo assim, com a mãe em casa, levei-as e trouxe do colégio diversas vezes, era eu que acordava de manhã para lhes dar o pequeno almoço, e ela ficava na cama até que nós saíamos. Só de vez em quando as ía buscar, durante um longo período de tempo, em que esteve deprimida, e mesmo depois. Olhando para trás, não consigo deixar de admitir que facilitei demasiado a vida da mãe das minhas filhas, prejudicando-me, porque não houve qualquer reconhecimento!
Mesmo nas noites em que trabalhava até de madrugada, quando subia para me deitar, se as miúdas acordavam passado uns minutos, ou uma hora, era sempre eu que me levantava, porque a ela lhe custava muito, e não era capaz... dizia.
Sempre que foi necessário ir com elas ao hospital, por motivo de urgência, fui eu que as acompanhei.

Sinto que sou uma pessoa mais equilibrada, enquanto pai, para elas. Não apenas pelas depressões que a mãe delas já teve por diversas vezes, desde o início do nosso namoro. Não só por ela ter tido acompanhamento psiquiátrico, psicológico, pelo historial familiar dela, ou pela medicação que toma constantemente. Mas pelo modo como se relaciona, pela forma como fala e pelo que exige das miúdas, sobretudo da mais velha, e pela rigidez com que o faz. Não me parece equilibrado, ou sequer justo, para com uma criança de cinco anos, ainda mais quando já o faz desde os três. Está a destruir a sua personalidade, o seu equilibrio também, a sua auto-estima, provocando constantemente comparações com outras crianças, ou pior ainda, com a própria irmã mais nova.

Sei que posso oferecer-lhes uma situação económica mais confortável, porque foi aquilo que sempre fiz. A custo de muito trabalho, de investimento, algumas vezes com algum risco, mas nunca tive medo de trabalhar mais para chegar a algum lugar um dia: para poder dar às minhas filhotas melhores condições de vida. E foi isso que fiz, e que pretendo continuar a fazer.

Ainda assim, reconheço que para elas, o pai será sempre o seu pai, e a mãe será sempre a sua mãe. Estará na genética, talvez, e no tempo que passaram conosco até agora. Na sua vida, na sua aprendizagem.
Se por momentos pensei que valeria a pena que permanecessemos juntos, só para que elas tivessem os pais juntos, cheguei depois à conclusão que não. E cheguei a essa conclusão precisamente por pensar nelas, no futuro e na felicidade delas! Nada melhor do que isto para traduzir o que estou a sentir. Não me interessa se no futuro elas estarão casadas, solteiras, a viver com alguém que amam, com um amigo ou com uma amiga. No fundo, o que eu desejo é que elas estejam felizes, seja de que modo for! E se eu quero que elas tenham este padrão, eu tenho de ser esse exemplo para elas. A verdade é que eu e a sua mãe não estavamos a ser esse exemplo, há já algum tempo. Ela não é uma pessoa feliz por natureza, é pessimista, vê sempre as coisas pelo lado negativo, e acha que tem sempre menos do que os outros, seja no que for. E não é assim. Com o tempo, com a família e com tudo o que construímos, pensei que ela ultrapassasse isso e fosse feliz, mas isso nunca aconteceu. E esperei que quando esse dia chegasse, ela voltasse a dar-me o que eu senti quando começamos a namorar, e recebesse tudo aquilo que lhe queria dar. Esse dia nunca chegou, e eu desisti de esperar. Desisti de tentar e falhar, vezes sem conta. De prolongar discussões por mais de três anos.

Durante esse tempo, pensei noites inteiras como seria quando nos separássemos. Pensava onde ía morar, como nos poderiamos organizar. Como seria com as miúdas, procurava casas na internet, para mim e para ela, tantas vezes. Ouvi-a dizer que se queria separar, mais recentemente até que só não se separava porque não tinha dinheiro, porque não tinha trabalho, e isso custou-me ouvir. Por mais de uma vez disse-o a outras pessoas: a sua mãe, à avó, à minha cunhada... Custou-me bastante ultrapassar isso e continuar a tentar. Ouvi-a dizer-me que nos podíamos separar, e que eu ficasse com a Madalena, que ela ficava com a Mercedes, quando esta ainda era muito pequeninda, na mesma altura em que estava de licença de maternidade, e eu tinha de sair de casa ao fim de semana com a Madalena, com três anos, tal era o teor das discussões comigo e com a nossa filhota, em que dizia entre outras coisas que era um inferno o fim de semana porque não estavam sozinhas (dizia-o para a Mercedes). E para que a Madalena não escutasse isso, eu saía com ela, e deixava de estar com a família reunida no único momento que tinha para descansar e estarmos todos juntos. Olhando para trás, vejo que os nossos fins de semana foram assim durante muito tempo, entre discussões e desacordos, em vez de estarmos bem e a recarregar energias para mais uma semana de trabalho. Não faz qualquer sentido...

Quero que as minhas filhas olhem para mim e vejam um pai completo, verdadeiro, autêntico. Uma pessoa com defeitos e qualidades, é certo, mas que é aquilo que é, e que elas conhecem. E quero que elas olhem para o pai e sintam que ele é feliz. Mesmo estando sozinho, que ele se faz rodear de amigos e família, e que se estiver com alguém, será com alguém que o ama, e cujo amor seja para elas o exemplo daquilo que pode ser o relacionamento entre duas pessoas que se amam.

Não quero quebrar laços entre as nossas filhas e a mãe, seria incapaz de o fazer. Mesmo achando que elas estariam melhor comigo, elas têm o mesmo direito de estar com a mãe e com o pai, e seria injusto se assim não fosse. Serei sempre o primeiro a dizer-lhes que estejam com a mãe de igual forma, que partilhem tudo com ela, como comigo. E só não as incitarei a tal se tiver a certeza que a mãe as maltrata ou prejudica em alguma altura das suas vidas. Não sou capaz de lhe tentar tirar esse direito. Não é justo. Não é justo para a mãe, mesmo que pudesse ser melhor para as crianças. Mas, de qualquer modo, não me parece que elas devam ficar privadas do mesmo tipo de relacionamento com o pai e com a mãe. Partindo do princípio que sempre estiveram com ambos, não faz sentido que se quebre a ligação com qualquer um dos dois.

Haverá entendimentos de psicólogos e educadores, que julgam ser mais prejudicial a guarda alternada, por alegar que a mesma não proporciona às crianças um único lar, um porto de abrigo onde se sentem seguras. Talvez faça algum sentido. Mas não haverá por esse mundo fora imensas crianças que ficam em casa dos avós, durante o dia, e tantas vezes até à noite, porque os pais trabalham até tarde e só as podem ir buscar às 22h? Eu conheço vários casos. Casos em que por vezes aí pernoitam, inclusivé. Neste caso também há duas casas, uma dos pais, outra dos avós. E quando a família passa o fim de semana num determinado local? Eu sempre passei o fim de semana numa casa que os meus pais tinham de férias, e sempre me senti confortável lá, como na casa onde permanecia durante a semana. Será ‘a casa’ assim tão importante, ou não será mais importante o ambiente familiar que é proporcionado às crianças, e que deve ser tranquilo, confortável e equilibrado?
Claro que reconheço que a guarda alternada obriga a um entendimento enorme entre os pais. Para que faça sentido, mais do que tudo o resto. Mas isso parece-me tão positivo! Não será melhor que os pais continuem próximos, de modo a poder contar um com o outro na sua vida, apoiando-se, e servindo de suporte às crianças sempre que necessário? Se a mãe delas tiver uma reunião até tarde, ou uma consulta de manhã cedo, não fará mais sentido que as miúdas fiquem comigo, do que com outras pessoas? Não fará mais sentido que a mãe possa contar com o pai no seu dia a dia?
As crianças poderão ter duas casas confortáveis, ter as suas roupinhas das diferentes estações, os seus brinquedos numa e na outra casa. Poderão ter o seu quarto em cada uma das casas, e só terem de levar o essencial quando passam de uma para a outra, ó-ós, fraldinhas, chucha...
A transição de um lar para o outro, pode ser feita de um modo simples e descomplicado, de modo a evitar conflitos, limitações de horários e possíveis pressões ou discussões entre os pais. Se as for buscar 6ª feira ao final do dia ao colégio ou à escola, e permanecer com elas até 6ª de manhã seguinte, quando as entrego no colégio ou na escola de manhã, é simples, responsável, sem dramas ou alegados incumprimentos.
Mas por muito que esta situação pudesse ser prejudicial para as crianças, poderá ela ser mais prejudicial do que elas passarem a viver apenas com um dos pais, vendo o outro como uma ‘visita’, e estanto com ele dois fins de semana por mês? A ausência de permanência e de partilha com um dos pais, é certamente mais prejudicial no presente e para o futuro destas crianças. A ligação ao pai e à mãe deve permanecer como ela é, e se essa ligação é intensa, ela não se deverá quebrar, só porque sim.
Não há, ainda ninguém me apontou, um motivo (ficando elas com um dos pais, e vendo o outro apenas dois fins de semana por mês) para que elas permaneçam com a mãe e não com o pai. No nosso caso em concreto, não há nada que o justifique!
No entanto, pelas nossas filhas, acho que vale a pena todo o esforço e empenho para que resulte, a guarda alternada das crianças. É sem dúvida o melhor para elas, nesta fase, em que estão muito ligadas a ambos. É urgente a regularização desta situação, para que termine definitivamente o ambiente hostil que se vive na nossa casa. Para que lhes possa ser explicado porque é que o pai dorme num quarto e a mãe noutro, porque é que os pais agora nunca saem juntos, e alternam os fins de semana com elas, sem a presença do outro.
É chegado o momento de assumir as coisas como elas são, delas deixarem de presenciar as discussões sem sentido, e que possam estar em paz com cada um dos seus pais, num lar equilibrado, cuidado, com a tranquilidade, paz e amor que elas merecem.

O momento da separação chegou, não faz sentido continuar a acreditar numa coisa que nunca vai chegar. Tentei com todas as minhas forças encontrar soluções. Fui demasiado tolerante, vezes demais. Fiz demasiadas coisas, sem qualquer reconhecimento. Vivi demasiado tempo sem estar a partilhar a vida, o caminho que ela nos oferece, e prolonguei demasiado uma situação que nunca devia ter chegado onde chegou.

Mais uma vez, a total inflexibilidade da mãe das minhas filhas, revela que ela não tem o bom senso, a capacidade de sair dela para se colocar na posição do outro, que não tem a preocupação com as miúdas em primeiro lugar, não se coibindo de prolongar esta situação indefinidamente, não procurando resolver nada. Fica à espera que tudo se resolva pelas mãos ou pelas decisões dos outros.

Disse-lhe que me queria separar a 26 de Julho de 2009. Disse-lhe que era definitivo, que não havia volta a dar. Tínhamos discutido meses antes, como há mais de um ano atrás, quando estivemos mesmo para nos separar anteriormente. Em Março, ou Abril, não sei precisar, a discussão foi tal, que ela se atirou para o chão, em frente às miúdas, e tive de sair de casa com elas, levá-las a casa de uns amigos meus, para explicar o que se tinha passado à minha sogra, para lhe pedir ajuda porque não era possível continuar assim, porque as miúdas não podiam continuar a ver aquelas situações repetidamente.

Das vezes em que falamos em nos separar, tirando quando a Mercedes era recem nascida, a mãe delas sempre reconheceu que elas ficavam melhor comigo. Só mais tarde disse que não iria aceitar que não ficassem com elas, caso contrário matava-se. Mais uma vez, não foi razoável, ou equilibrada.

Nesta última discussão, expliquei à minha sogra o que tinha sucedido e disse-lhe que não acreditava que conseguissemos ultrapassar isto uma vez mais, sem que antes houvesse uma separação mesmo, acreditando que isso nos poderia mudar, fazer ver as coisas por outra perspectiva, e depois talvez então resultasse. Não resultou. Não nos separamos, tudo continuou na mesma. Até aquele dia a 26 de Julho...

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riscos

Há riscos que gosto de correr. Há outros que não. E sobretudo, não gosto de me sentir em risco, quando não é um risco calculado, quando não é minha a decisão de estar em risco.

Podem desaparecer folhas de papel, ficheiros do meu portátil.
Da web será um pouco mais complicado...

2009/10/25

uma entre tantas

A história que estou prestes a contar, não tem bons nem maus, embora possa parecer que sim. Por isso mantenham-se atentos, porque ainda que alguns pormenores possam levar-vos a pensar o contrário, não é assim.
Como [quase] todo este blog, a história que se vai seguir escreve sobre sentimentos, sobre pessoas verdadeiras e sobre as suas emoções. Por isso, não tem, quanto a mim, heróis ou vilões.

A história que estou prestes a contar fala sobre um percurso. Sobre um caminho. Representa escolhas, por vezes tão difíceis, como determinantes. Esta história fala de um sonho e da esperança de o encontrar. Escreve-se, reorganiza-se, entretanto, noutro canto, até que aqui se possa encontrar.

Está quase aqui...

2009/09/27

3 posts

3 posts num ano não fazem, na verdade, a continuidade de um blog.

Com o passar do tempo, o primeira estrela apagou-se. Da minha rotina, da rotina dos que o liam: VOCÊS!! Será que ainda aqui passa alguém? Passa? Não, caríssimos leitores, não precisam responder! Não precisam suplicar para que volte a escrever. Já decidi, vou voltar na mesma!

Não sei se será de imediato, talvez não, porque mais elevados valores assim obrigam. Mas vou voltar seguramente. E por um motivo único e especial, em tanto semelhante ao que me trouxe aqui a primeira vez.

...É que eu tenho uma história para contar! Uma história por vezes vazia, por vezes sem sentido. Maçadora ou emocionante, e que pode não dizer nada a muita gente, mas que faz tooodo o sentido para mim.

A minha história. Escrita nas linhas e nas entrelinhas. Autêntica. Transparente, mais do que nunca. Inesperada, talvez. Revestida de pormenores. E que aqui será contada, para alguns dos 31.760 que já por aqui passaram!

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2009/04/23

bons sonhos

Sempre admiro muito, as pessoas que sonham, as que lutam e realizam. As pessoas que não passam indiferentes pela vida. Aquelas que guardam um segredo bem guardado. Aquelas que sabem algo que só elas sabem... E que um dia o revelam, no momento certo.

A vida não se fez para lhe passar ao lado. A vida fez-se para ser grandiosa, para deixar uma marca nos outros. Porque geralmente somos preconceituosos, temos reservas, não nos mostramos como somos, não tentamos tudo, sem medo do que podemos perder.

Talvez também eu seja assim. Talvez um dia não seja, e diga tudo o que sinto. Talvez um dia faça tudo aquilo que eu quero, tudo aquilo em que acredito.

Por agora resta-me admirar, emocionar-me com o talento que sempre me toca de perto quando o vejo. Mais do que isso, posso sorrir ao ver alguém realizar o seu sonho! E ficar contente por participar, por estar neste mundo que é assim... estranho, complexo, mas que tem muuuitas coisas boas!

2009/04/06

tempo de...

...Escrever aqui!
Só para lembrar algumas coisas. Ou melhor: só para não me esquecer de algumas coisas. Por exemplo: normalmente as minhas convicções são certas. São as correctas para mim. Para mim, e para toda a gente. Cada um com as suas, claro. O que quero dizer é, se sentir que algo é certo para mim, talvez seja porque é mesmo, e não vale a pena seguir pelas ideias dos outros. Pode até parecer acertado, mas mais cedo ou mais tarde, aquilo que nos parecia mais correcto, acaba por ser mesmo o mais correcto. Nada como fazer exactamente aquilo que achamos que é certo, seja certo ou errado, para nos sentirmos a viver em plenitude.
Mas claro, isto não se aplica a todos!

Os anos passam, os tempos mudam, e cada vez mais acho que as minhas ideias não mudaram assim tanto ao longo dos anos. Por vezes, no entanto, aquilo que fiz, o rumo que segui, foi diferente daquele que havia estruturado, daquilo que havia imaginado para mim. E hoje, depois de um ou outro caminho diferente, chego à conclusão que devia ter feito exactamente aquilo que tinha pensado.
Mas as nuances do caminho por vezes empurram-nos para opções diferentes. E nem sempre seguimos o caminho mais curto.

Chego lá na mesma! Talvez demore apenas um pouco mais...

Primeira Estrela: o meu eterno espaço de reflexão. Com o passar do tempo, as minhas reflexões aqui tornam-se mais confusas, menos claras, menos transparentes. À medida que as minhas palavras abertas escolhem determinadas pessoas, a abertura total deste espaço leva-o a tornar-se mais vago. Mas ao mesmo tempo a sua familiaridade para mim é tanta, tão intensa, que me apetece 'postar' aqui tudo o que vai acontecendo ao longo do tempo. Tudo o que mudou, e o tanto que está a mudar em mim.

Esta bola que é o 'Primeira Estrela', rodou sobre si mesma intensamente ao longo do último ano! Como um mundo que se virou de pernas para o ar, mais do que uma vez, em diversos aspectos, sacudindo por vezes para ver quais as coisas que estavam realmente bem agarradas. E quais aquelas que caiam, quais as que não aguentavam, quais as que ficavam para trás. E depois, roda novamente, e continua a rodar. Talvez noutro lugar, ou no mesmo lugar mas apenas com outra perspectiva. Se calhar, afinal, sempre aqui tinha estado, mas o sentir que é diferente revela-me outros detalhes de onde estou, de com quem estou, de quem está à minha volta. E isso dá-me outras coisas, que só agora sei ver, sentir e valorizar.

Sem segredos. Sem ilusões. Com muitos sonhos!
Histórias e sentires que se repetem. Descobertas que se fazem devagarinho.

2008/09/15

um dia regresso

A vida é um caminho.

Um dia vou ter novamente espaço para escrever aqui o que realmente me apetecer. Mas as coisas mudam, os tempos mudam, e toda a história que se escreveu aqui, que se retrata, teve um princípio, um meio... e já um fim.

Embora por vezes aqui surjam novas linhas, elas não passam de uma espécie de suspiros. De uma onda que vem e volta, que surge umas vezes com mais, outras vezes com menos força, e que se dissipa invariavelmente, na imensidão de um mesmo mar. Depois volta o silêncio, a calma, uma surdez estranha, que leva alguns a perder o meu rasto. Por um instante, quase eu perco o meu próprio rasto! Como me faz falta escrever aqui! Como me faz falta escrever para mim, ser lido por um 'todos vocês', sendo que isso engloba os que me estão perto, os que conheço bem, os meus amigos, e todos os desconhecidos.



Organizar ideias:

Ok: não posso continuar a escrever aqui. Não faz muito sentido, não é? Tanto tempo depois... Ou talvez faça. Em quantas visitas de página é que isto está?! Deixa cá ver... Fo**-se, quase trinta mil!! E o mais estranho, é que continuo a ter várias visitas diárias, quer directas, quer pelas mais diversas expressões buscadas.
Se calhar devo 'o escrever aqui' a algumas pessoas.

Por outro lado, não sei se gosto da ideia de escrever do modo como fazia antes. Não o sendo - segundo me diziam - a mim parece-me sempre demasiado explícito. E não estou a falar das fotos que coloco, mas antes do que expressava.

Algo de acesso limitado também não me parece muito divertido. Afinal, a descoberta, a partilha, é muito mais divertida e diversa se estiver em aberto. E assim acabei por 'conhecer' também um pouco de tantos de voz: deixando que me lessem, e lendo-vos, tantas vezes.

Acompanhei histórias que me divertiram, que me emocionaram. Que me fizeram reflectir, escrever. Tantas vezes escrever nos vossos comentários, ou escrevendo aqui impulsionado pelo que lia. Acho que cresci, aqui.

E voltar a este espaço sabe sempre a VOLTAR A CASA.
Por muitos espaços que crie, que crio e invariavelmente deixo ao abandono ou apago, este é sempre o meu espaço. E agora? O que é que faço?

1. continuo a escrever aqui

2. começo a escrever noutro lado novamente sem dizer nada a ninguém, e espero que se construa um novo espaço, como se criou este, aos poucos

3. começo a escrever num novo espaço, de acesso condicionado, e deixo aqui um link ou um mail para poder garantir o acesso daqueles que queiram ler, e que eu queira permitir a leitura

4. acho que se acabaram as minhas opções... por agora

Confuso?! Apetece-me....... partilhar!

2008/04/07

Madeleine

Curioso, só escrever este nome aqui, agora.

Há quase um ano atrás, despareceu uma rapariguinha inglesa no Algarve. Todos conhecem a história. É horrível, quando nos pomos a pensar as diferentes coisas que podem ter acontecido. Tenha sido raptada, abusada, ou 'dopada' pelos próprios pais, as consequências não podem ter sido boas... E isso custa sempre imaginar.

A mim custa-me ainda mais, quando tenho uma filhota apenas uns meses mais nova. Com o mesmo nome, na versão portuguesa...

Tantas, e tantas vezes que me disseram que elas eram muito parecidas... De facto na altura encontrava algumas semelhanças. Hoje menos. Porque passou um ano. A minha filhota está um ano mais crescida. As imagens da pequena Madeleine permanecem as mesmas que lhe conhecemos.

A nossa princesa mais crescida gosta agora de ir conosco quando temos de ir fazer compras. Este fim de semana, passou em frente a uma livraria com a mãe, e viu exposto o livro que saiu, que tem na capa escura a fotografia da Madeleine. Parou, puxou o braço da mãe e disse:

- Mãe, mãe! Olha eu!!

Pelos vistos, não são só os outros que encontram semelhanças...

2008/03/31

sol

Há dias escuros. Cinzentos. Chuvosos.

Podemos correr, sair por aí. Caminhar... simplesmente, à chuva. Até que se acabem por secar as núvens.

E depois há dias de sol. Dias em que uma expressão, um sorriso, são o suficiente para nos aquecer. Mostram que o caminho que seguimos é o certo, ainda que a todos possa parecer o errado.
E vêm as ideias, todas as ideias, novas, velhas, de todos os tempos e de todos os campos. E tudo parece preencher-se. Mais e mais, por vezes até de mais.
E numa pausa, num instante, vem um sorriso que por ser tão verdadeiro, me dá todo o amor que preciso! Por hoje...

E amanhã haverá outro dia...! E começa tudo outra vez.

2008/03/22

August Rush

É como se em monte de letras soltas se juntassem dentro de mim!...
E depois se agrupassem. Numa explosão de cores.
E eu escrevesse isto.

Por vezes é preciso passar algum tempo. Muito, muito tempo. Para questionar. Para encontrar as coisas que fazem sentido. Para saber as perguntas certas que tenho de fazer. Para esquecer, aquelas que não quero mais fazer.

E é preciso encontrar o tempo, de novo. Como hoje, para ir ao cinema. Para ver, e sentir as emoções sair de dentro de mim, sob uma estranha forma, que já não sentia há tanto tempo. E isso faz-me sentir que de todos os pensamentos que povoaram a minha mente nos últimos meses – ou anos – só alguns estavam certos. Tantas, tantas coisas para as quais tentava encontrar sentido, não precisam, simplesmente não precisam de justificação. E tantas são as coisas que tenho ainda que fazer!! Tantas já fiz!

Chegar onde cheguei, saber o que sei, pode não ser muito, pode até não ser nada, mas significa definitivamente algo grandioso. Sou mais do que aquilo que penso. Não, e isso não está em mim, mas antes à minha volta. Está em vocês, está nas pessoas à minha volta. Naquela magia que se vê, que se sente, e que se agrupa, tantas vezes aqui, neste espaço que há pouco mais de um ano não existia, e que se construiu das vossas presenças. Paredes que se preenchem de risos, choros, sorrisos, abraços. Mais recentemente, de amor também, de paixão de novo.

Há tanto que queria escrever, e não sei como o fazer. Acho que hoje foi um pouco demais, e não sei por onde começar. Como de costume, não planeio aquilo que escrevo. Sai de rompante, de dentro de mim. Mas hoje, apetece-me sentir que sou especial! Que aquela capacidade que tantas vezes me dizem que tenho, que é a de transmitir algo por palavras… hoje apetece-me acreditar que a tenho mesmo, porque as letras, as tais letras soltas dentro de mim, são muitas mais do que as que se vão agrupar aqui, e parecem preencher-me por completo.

A cruzar o país sinto as minhas raízes, porque não estão aqui, fisicamente, agora. Raízes que são memórias, recordações, pessoas que já não tenho por perto, os meus amigos ou as minhas filhas. São essas raízes que são mais do que eu. Que vão além das fronteiras. Que estão e ficam por toda a parte. No meu pensamento, concentradas, aqui! Com tudo o que tenho para lhes dizer. Para ensinar e aprender. Todas as pessoas que fazem parte da minha vida, seja em passado, presente ou futuro. Aquelas que já tive a boa fortuna de encontrar, e aquelas que ainda não descobri!...

Servem para saber que tenho tanto, tanto por fazer. Já pensei que não. Já perdi o norte. Já achei que sabia as grandes respostas, e talvez as soubesse mesmo, cedo demais. Já achei que não sabia nada, e afinal sabia qualquer coisa. Descobri que a saudade não é salgada, a saudade é doce!

De todos os medos que tenho, acho que o maior de todos é não poder estar sempre e para sempre ao lado das minhas princesas. Não poder beber dos seus olhos, as alegrias e tristezas que a vida lhes trará. É uma espécie de angústia, em que tento não pensar muito. Mas acho que no fundo, ainda não disse vezes suficientes a toda a gente, o quanto quero estar presente, por todos vocês, se um dia não puder estar cá para elas. Nada, nesta altura que são tão pequeninas, lhes poderá dar essa segurança. Muito menos as minhas palavras. Mas quero que saibam que estarei sempre, sempre presente para elas! E que se pelas minhas palavras, escritas por toda a parte, elas o poderão saber, seria pelas minhas mãos e por vocês que o saberiam sentir…

Porque é que será que escrevo estas coisas?!

Finalmente, as minhas inquietações parecem encontrar respostas. Ainda numa fragilidade de descobertas, os laços são imensos, assim como as certezas, das mais diversas! Acabo por não ter certezas de quase nada, mas tenho uma certeza enorme, apoiada na sabedoria de outros mestres: se me perguntarem se encontrei o ‘caminho para a felicidade’, direi que descobri que ‘a felicidade é o caminho’! E sinto que estou, definitivamente, a percorrer esse caminho!

Parece que em um ano cresci uns cinco! E ao mesmo tempo sinto-me uns dez anos mais jovem do que há dois meses atrás! Acredito no sonho, na emoção. Nos laços imensos que crescem a toda a minha volta. Que como as letras, como a música, me preenchem, me ultrapassam, me fazem voar, me fazem sentir que estou POR TODO O LADO!

Sinto que a minha casa é O MUNDO, e que a casa de todo o meu mundo é aqui! Sinto que estou a VIVER! Hoje. Agora. De há uns anos para cá, tudo parece acontecer de um modo específico, algo mágico. Por vezes, demoro a compreender o porquê das coisas, mas quase sempre, acabo por saber porque é tão óbvio!

A palavra de hoje, é só uma: OBRIGADO!

2007/06/19

alô?

Está alguém PERSISTENTE, desse lado?

2007/01/23

primeira estrela...

Publico… não publico…
Publico… não publico…

… Escrever as últimas linhas deste ‘primeira estrela’, quase três anos depois do seu início é até estranho. Entre muitas outras coisas que aprendi ao longo deste tempo, aprendi que nada, mas mesmo nada é assim tão definitivo. Assim, o que hoje me parece um final pode amanhã mesmo ser retomado, recomeçado, continuado. Aprendi que tudo – ao contrário do que imaginava – tem um princípio e um fim, assim como este blog, por exemplo!

Descobri o amor incondicional que um pai sente por um filho. Algo que só se pode sentir, e não saber.

Este blog passou a fazer parte integrante da minha vida. Não só pelas situações que descreveu, ou pelos momentos de reflexão que me permitiu. Tornou-se quase uma parte autónoma, que me descreve tão bem. Mais do que acontecimentos, situações, ele revelou estados de espírito. Emoções. De uma forma – dizem – por vezes pouco transparente. Assim serei eu… talvez. Deserto de me fazer ler, de me fazer entender, muito mais por palavras escritas do que por palavras ditas.

Ainda me espanto por quantos me souberam aqui encontrar, por tantos que aqui vieram uma e outra vez, encontrando aqui algo de interesse para ler. Por quantos me comentaram, nas suas palavras que significaram tanto para mim!
Aqui encontrei cumplicidades, semelhanças, soube aceitar diferenças. Descobri diferentes opiniões. Encontrei novos amigos, que me escutaram. Aprendi – também aqui – muito! Convosco!

Este blog termina aqui. Num misto de (já) saudade, num vazio que se revela intenso… num olhar para o futuro, de amor, de esperança. Num olhar de emoção.
O tempo para o escrever escasseou tantas vezes. Não tantas vezes quanta foi a falta que me fez aqui escrever.
Estranho como por vezes as coisas acabam mesmo antes de as darmos por terminadas. Assim foi com este blog. A verdade é que já tinha terminado há uns meses, certo? Mas por vezes é preciso terminar as coisas como deve ser. Encontrar o tempo e o espaço certo para o fazer.

O futuro trará novos tempos para escrever, talvez noutro lugar, outras palavras, outras e as mesmas histórias. Estas mesmas histórias que vos trouxeram aqui, as mesmas que me preenchem, e que falam de um sonho: aquele que se pede à ‘primeira estrela’ que vejo no céu, à noite. Aquela que me trouxe não uma, mas duas pequenas e perfeitas estrelinhas! Que preenchem a minha vida e o meu coração. Aquelas por quem sou capaz de fazer tudo, aquelas que representam tudo para mim!

…Aqui ilustradas por um sol dourado a brilhar no céu azul de Janeiro. Deste mesmo Janeiro que encerra e inicia histórias, como esta!

2006/12/22

feliz natal!

2006/11/25

peço desculpa pelo incómodo, mas...

Depois de ver isto, e de ler o poema que se segue, não pude deixar de o colocar aqui.

Não consigo sequer imaginar algo assim. E pensar que são crianças como as minhas, que tantas vezes serão abusadas, maltratadas... E que podiam ser doces, como as minhas. Há coisas no mundo que eu ainda não consigo mesmo entender... Fiquei mesmo perturbado, desculpem.

Qualquer coisa não se esqueçam, liguem 800 202 651.

Cá vai:


O meu nome é "Sara",
tenho 3 anos

Os meus olhos estão inchados,
não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
eu devo ser má,
o que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
eu não posso fazer asneiras,
senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
a casa está escura,
os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
eu tento ser amável,
Senão eu talvez leve
uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
o meu pai chega do bar do Carlos.
Ouço-o dizer palavrões.

Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.
Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.

Tenho tanto medo agora,
começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
ele atira-me com palavras más,
ele diz que a culpa é minha,
que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
e berra comigo ainda mais,
eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis palavras...
"Eu lamento muito!", eu grito

Mas já é tarde de mais,
o seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.
O mal e as feridas mais e mais,
"Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!"

E finalmente ele pára, e vai para a porta,
enquanto eu fico deitada,
imóvel no chão.

O meu nome é "Sara",
tenho 3 anos,
esta noite o meu pai *matou-me*.

2006/11/08

feitiço

Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite, me guia de dia e seduz...

Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
Ter o céu como fundo, ir ao fim do mundo e voltar...

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...

Eu gostava que olhasses
para mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo, um olhar em segredo, só para eu
Te abraçar...

Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...

O primeiro impulso é sempre mais justo, é mais verdadeiro...
E o primeiro susto dá voltas e voltas na volta redonda de um beijo profundo...

Eu...
Eu não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Eu...
Não sei o que me aconteceu...
Foi feitiço!
O que é que me deu?
Para gostar tanto assim de alguém
Como tu...
Como tu...

(André Sardet)

susto

Há momentos que nos marcam definitivamente.
No meio desta vidinha (supostamente) perfeita, são ‘sustos’ que apanhamos, que nos fazem reflectir sobre as relações que mantemos com as pessoas, sobre o modo como encaramos a vida, sobre tudo em geral. Momentos que nos marcam, que nos levam a avançar, que nos fazem crescer, que nos atiram para a frente.

Vivi um momento desses. Poucos de vocês sabem sequer o que se passou, porque acabou por não ser nada. Mas foi o suficiente para me fazer pensar. E para me fazer um pouco de tudo isto.

Para me deixar a querer sugar mais e mais da vida, a cada instante. Para me retirar um pouco mais do (pouco) sono que tenho.
Tudo está bem, quando acaba bem.

um dia depois

Afinal não custa assim tanto fazer trinta. Ou não custou assim tanto fazê-los. Se calhar porque as coisas não mudam assim tão repentinamente. Se calhar porque até consigo – de momento – ir vivendo a minha vida um pouco como gostaria. E porque acredito que algumas coisas que não estão no devido lugar vão acabar por mudar.

Alguém importante se esqueceu de me dar os parabéns ontem. E isso magoou-me. Ainda não sei se foi intencional ou não. Acho que não vou dizer nada – tão típico meu!!

A questão do desagrado com os trinta é mesmo uma coisa física. Acho que em tempos ouvi dizer que o ‘auge’ da sexualidade masculina era por volta dos 20 anos, enquanto que das mulheres era pelos 30. A ideia de já o ter ultrapassado, e me encontrar na fase ‘depois de’, na fase ‘decadente’, dá uma sensação estranha. Parece que já estou na segunda metade da minha vida. Naquela em que estamos mais próximos do final do que do início. Como na segunda metade das férias, em que começamos a fazer a contagem decrescente para regressar ao trabalho. Fiz-me entender?

A verdade é que não sinto diferença nenhuma. Talvez não diga o mesmo aos 40, hehe!

Seja como for, estou a ultrapassar esta ideia de relutância contra os trinta. Estou mais velho, é certo. Tenho menos cabelo e mais pêlos no corpo, do que aos vinte. Mas não tenho barriga nenhuma e acho que vou continuar assim! Fez-me bem ir ao ginásio, porque acho que melhorou a minha forma física de lá para cá. Por isso, no geral, até acho que estou melhor (hoje, pelo menos)!

Se calhar tinha que vir aqui para escrever esta mensagem com um sentido positivo…!

2006/11/07

trinta

Agora mesmo, é isso: faço 30 anos!
Alguém acredita? Alguém faz ideia o que isso é? Se souberem, digam-me, porque eu não faço a mínima ideia! E mais uma vez, nem sequer tive muito tempo para pensar nisso.

É assim mesmo, de repente, de um minuto para o outro, acabaram-se os ‘vintes’, e entrei definitivamente nos ‘trintas’. Penso no quanto mudou a minha vida na última década, e imagino como serei diferente daqui a outros dez anos.

De há uns anos para cá (poucos), preferia não fazer mais anos. Mas é verdade, este ano custa mais do que os outros. A diferença que eu sinto? Nenhuma. Absolutamente nenhuma, até agora. Gosto de me sentir jovem. De fazer, pensar, sonhar como os mais jovens. Apesar de uma parte da minha vida estar perfeitamente enquadrada na idade dos trinta anos – a vida familiar organizada, duas crianças pequenas, a minha vida profissional – certo é que a minha mente está muito mais no início dos vinte, do que perto dos trinta.

Tenho hesitações e dúvidas como um jovem de 20 anos. Sonhos, projectos. Arrisco, muitas vezes sem pensar no amanhã. Não é no futuro, é mesmo no dia seguinte. É verdade que as minhas decisões acabam por nem sempre ser tão impulsivas assim, mas ponho tudo em causa, constantemente. Como quem busca o seu caminho.

Se era isto que esperava ter encontrado, aos trinta… não encontrei. Se esperava ver tudo estabilizado à minha volta, parece que não. E no entanto, não sei bem porquê.

Há dias, conversa entre amigos a comentar o facto de eu ir fazer trinta anos (ora, que bom tema), foi qualquer coisa como isto:
- Então, estás ansioso?
- Não, ainda não pensei muito nisto. Acho que não trás grandes vantagens, estou a ficar mais velho. Tenho mais rugas, mais olheiras, e menos cabelo. Vantagens? Zero.

As mulheres aos trinta estão melhores – acredito. Mais maduras, dizem. De facto têm outra segurança, outra presença, que não têm no encanto dos vinte. Uma mulher aos trinta é interessante. Têm outra história. A menos que seja uma frustrada, ou uma solitária desesperada à procura de marido.

Um tipo aos trinta o que é que tem a mais? Ninguém acha que está a ficar para trás se estiver sozinho. Mas a verdade é que o envelhecer não parece ser tão generoso. Estou eu para aqui a pensar nisto. A esta hora, imaginem!!

O meu irmão – na mesma conversa – dizia-me que não estava nada de acordo: que aos trinta sabe-se mais coisas do que aos vinte. Sabe conduzir melhor, e escolher um bom vinho, por exemplo… Ok. Eu conduzir até acredito que sim, mas não hoje melhor do que ontem, certo? E vinho, não sou muito esquisito mesmo! É certo que ganho mais hoje do que aos 25, por exemplo. Mas… por muitas vantagens que o meu ser tenha HOJE, detesto a ideia de envelhecer.
Por muito que se cumpram objectivos, por muito que se alcancem metas. O tempo a passar é do pior que posso sentir. Tem momentos bons, instantes felizes em que sentimos que estamos a cumprir a nossa missão. Que estamos a conquistar os limites certos. Mas o que me custa é sentir que os anos correm, tão depressa. E que o tempo se consome a si próprio demasiado depressa. Queria viver tudo de novo, mais devagar. Queria poder saborear cada instante o dobro do tempo. E agora não custa muito, mas acho que vou chegar aos sessenta com esta mesma sensação.

Dos vinte para os trinta… apaixonei-me. Fiz novos amigos. Comprei um carro novo. Desentendi-me com a minha família, sem entender bem as suas razões, até hoje. Reencontrei velhos amigos. Afastei-me de alguns amigos. Terminei o curso. Estive na tropa (imaginem)! E fiz mais amigos onde menos esperava encontrá-los. Comecei a trabalhar. Constituí uma sociedade. Perdoei a quem me magoou. Comprei uma casa. Fiz obras. Casei com a mulher dos meus sonhos. Viajei um pouco. Reaproximei-me do meu irmão. Perdi a minha avó. Comprei outro carro. Comecei a trabalhar sozinho, e desenvolvi outras actividades. Fui pai pela primeira vez. Descobri que só algo tão mágico como ser pai me podia ligar de novo à minha família sem ressentimentos. Senti que tinha a minha vida preenchida. Descobri sentimentos que não imaginava existirem. Perdi o meu cão. Decidi aventurar-me num novo investimento. Conheci novos ritmos de vida. Aprendi a dar valor à tolerância, à autenticidade das pessoas à minha volta. Reaproximei-me de alguns bons amigos. Sonhei, reencontrei no meu amor a vontade de sermos pais novamente. Descobri que podemos ser muito importantes para alguém, quando menos esperamos. Fui pai pela segunda vez. Sucedi-me bem nos investimentos que fiz. Adquiri novos sonhos, novos projectos. Aprofundei cumplicidades, fiz novos amigos. Ponho tudo em causa, por vezes só para ter a certeza de que este é o caminho certo. Será?

Às vezes apetece-me largar tudo! Mudar tudo! Deixar o ritmo acelerado a que vivo. Esquecer os objectivos planeados que nem sempre nos saem como imaginámos e partir em busca de espaço. De tempo. De outros valores. Se calhar estou no bom caminho, e só não me dou conta disso.

Apetece-me viver devagar!

Hoje, faço trinta anos. E sinto saudades de quem não tenho próximo de mim. De quem não me pode tocar. De quem não me abraça. Do tempo que já passou. Das emoções que vivi até hoje. Não posso ficar nos 29 para sempre, não?


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